O rock progressivo – definição da wikipedia – é um estilo de música de rock que surgiu no fim da década de 1960, na Inglaterra. Conseguiu se tornar muito popular na década de 1970, mas ainda hoje possui muitos adeptos. O estilo recebeu influências da música clássica e do jazz fusion, em contraste com o rock estadunidense historicamente, influenciado pelo rhythm and blues e pela música country. Ao longo dos anos apareceram muitos sub-géneros deste estilo tais como o rock sinfônico, o space rock, o krautrock, o R.I.O e o metal progressivo. Praticamente todos os países desenvolveram músicos ou agrupamentos musicais voltados a esse gênero.

Falta na definição acima um pequeno detalhe, o rock progressivo é o estilo mais ignorado em qualquer artigo e/ou programa televisivo que conte a história do rock.


Um Elogio a Charles Gavin

Antes propriamente do artigo tomar corpo, gostaria de pedir licença ao leitor para tecer um elogio a Charles Gavin, músico, compositor e baterista da banda Titãs. Charles Gavin merece aplausos pelo trabalho a frente do programa ‘O Som do Vinil’ do Canal Brasil. Neste programa o músico apresenta um disco por episódio e fala da carreira do compositor de tal álbum apresentado, com entrevistas e histórias interessantes. O elogio vai para a imparcialidade do músico e por ter incluído alguns programas de clássicos do rock progressivo, o que me alegrou, como Paebirú (Zé Ramalho e Lula Cortes) e Criaturas da Noite (O Terço). Nessa época onde ainda é considerado um tanto de vergonhoso mencionar o rock progressivo, Charles Gavin merece os parábens.


O Esquecido

Durante a década de noventa era considerado vergonha alguém mencionar que no passado trabalhara e apreciara o rock progressivo. Hoje em dia tal vergonha deixou de existir ou se minimizou, contudo ainda persiste o esquecimento. O rock progressivo é um dos estilos mais importantes do rock em geral e triunfou durante a década de setenta onde produziu alguns dos discos mais vendidos de todos os tempos, alguns dos shows mais espetaculares e assistidos e um sem número de músicos famosos e excelentes. Porque então é ignorado?


A Dúvida e a Resposta

Se o rock progressivo dominou o mercado discográfico na década de setenta, ao lado do heavy metal, porque em noventa porcento dos casos é sequer mencionado nas histórias do rock?

Eu tendo a responder que a culpa é da cultura americanizada que se espalhou mundo afora, do capitalismo e das gravadores que tentam empurrar seus artistas menos talentosos. A parte da cultura americana é quase óbvia, porque apesar do rock progressivo ter feito sucesso nos Estados Unidos, jamais encontrou no país um solo fértil e oportunidades. Algumas bandas menos famosas do público em geral, como o P.F.M, ainda conseguiram algum sucesso, contudo realmente só os grandes tiveram capacidade de brigar com as bandas americanas.

Também é evidente que as gravadores são culpadas ao abandonar e tentar denegrir o estilo para levar o público para outros movimentos menos inspirados.

Agora, se rádios e algumas televisões são parte do comércio de artistas e música, outras deveriam se dar ao respeito de produzir artigos e programas que não esqueçam o estilo.


Melhoria em Aquarius

A partir do fim do século passado, principalmente com o surgimento de muitos grupos de sucesso do Crossover, como Radiohead, o progressivo voltou a ser mencionado. Estas bandas além de terem forte inspiração no rock progressivo não se esquivam de mencioná-lo, com isso o progressivo deixou o total esquecimento para voltar – devagar – a mídia. Artistas que alguns anos atrás preferiam ignorar a participação em grupos de rock progressivo no passado, passaram a falar com saudade e orgulho do estilo.

No acima citado programa do Charles Gavin vi Flavio Venturini e mesmo Ritchie falaram com orgulho de como adoravam e ouviam bandas de rock progressivo, e como foram influenciados pelos estilo e mesmo produziram discos e canções dentro do estilo. Assistir ao Ritchie mencionar Gentle Giant como uma de suas bandas favoritas me lavou a alma. Contudo ainda hoje em dia a grande massa de ouvintes, leitores, telespectadores conhecem apenas o Pink Floyd, talvez Genesis, Rush ou Yes.


Refaçam os Textos

Para aquele que hoje prepara algum texto, roteiro, artigo, trabalho sobre a história do rock, caso o progressivo não esteja incluído, por favor refaça o serviço. Contar a história do rock sem o progressivo é o mesmo que contar a história da aviação sem Santos Dumont.

Contar a história do rock sem mencionar alguns discos fantásticos e marcantes como ‘The Wall’ e ‘Dark Side of the Moon’ do Pinkf Floyd, ‘Aqualung’ do Jethro Tull, ‘Close to the Edge’ do Yes, e tantos outros que tiveram grande venda, chega a beirar o ridículo. Até hoje o ‘Dark Side of the Moon’ está entre os cinco discos mais vendidos da história, e nem assim entra em compilações ou é mencionado por quem escreve sobre o rock.

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