Eu sinto aquele vazio dos homens incapazes, dos homens infelizes, dos homens, o vazio da incapacidade de ser amado, de se sentir amado e de ver o outro ser e sentir o que falta tanto faz.

Dentro do meu coração o local mais impróprio para certezas é onde estão os tais vazios, e estes apertam todo o sistema emotivo, todo o prazer se esvai, todo o sentimento morre em tal intensidade que a dor do aperto se estende aos braços e paraliza as mãos que escrevem tais frases.

É a total e absoluta falta de alguém para se apaixonar que leva a escrita a correr perdida em frases acavaladas como se todos estivessem em carreira coletiva, em um estouro de manada, em uma convulsão do ódio que brota exatamente no ponto que deveria brotar o amor, plácido ainda este ódio, contudo transformado em fel, ácido veneno que queima e leva os braços semi-paralisados a exagerarem nas frases, nas palavras.

É de fato o último suspiro da esperança concubinado com a última morte do coração apaixonado, que destrói a cada suspiro a verdade, e a dor se encontra com as mãos, o aperto se espalha pela alma e leva os braços a tentar estripar a dor em palavras que a levariam tão longe dos braços e tão perto do coração.

É a dor, apenas a dor resiste ao fim, apenas a dor dos homens incapazes de serem amados, a dor da morte da esperança, da maior das chagas, do veneno ácido que destrói os braços, paralisa as mãos e as palavras, a dor de se sentir solitário, sem esperanças, sem futuro, sem vida, sem morte, sem ser, viver, amar.

A pior das dores humanas é a da morte da esperança, quando um sorriso, um gracejo, um beijo de alguém que tanto se gosta, não converte a dor em esperança e sim em desconfiança.

É assim a dor da morte da esperança, quando uma palavra como amor traz a desconfiança e não alegria e paz, a dor de desconfiar de que quem diz que gosta diz por dizer, sem de fato gostar, sem de fato ressuscitar a esperança morta e os braços, e as palavras, e a alma.