Olhando para o futuro eu consigo ter bons fluidos, pensamentos positivos, otimismo, porém o dia-a-dia vem me desafiar a cada segundo, vem querer tirar meu gosto, meus sonhos, meus ideais, vem querendo me empurrar para obviedade, a sobriedade, a infantilidade. A incogruência entre um presente sem boas novas e um futuro desejado ataca meus pensamentos por todos os lados. Vejo pessoas tão naturalmente ordinárias levarem o melhor da vida para o lar e vejo pessoas tão avassaladoramente extraordinárias sofrendo segundo a segundo para qualquer vibração positiva obterem.

Quando o universo se voltou contra os especiais? Quando um futuro promissor deixou de existir por causa de um passado de erros e desfortuna e um presente de angústia em relação ao futuro? Quando? É uma benção ser ordinário no mundo atual, no universo do presente, ainda que a vida provavelmente venha a ser idêntica para o restos dos dias, o hoje conclama cada vez mais por ovelhas. E são ovelhas todos quase, pastando dia após dia rumo ao fim dos fins. A ovelha transita entre ovelhas, vive em paz, vive o momento, vive o minuto, vive, e os lobos, correm atrás de tudo, querem tudo, perseguem tudo e por vezes nada, e por muitas vezes nada, nada, nada conseguem. Entre lobos e ovelhas os segundos são felizardos, entre um sonho impossível do extraordinário e a benção de ser ordinário, outra vez, o segundo leva soberana vantagem, contudo, nem todos são ou serão ovelhas, nem usando pele de cordeiro um lobo se tornará uma ovelha, nem se esforçando ao máximo o extraordinário se tornará um ordinário. Aos lobos nos cabem apostar, apostar que o pastor não estará acordado quando a ovelha fugir, quando a oportunidade de brilhar surgir.

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